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Gestão

Encaminhamento psicológico: quando fazer, como escrever e modelo de carta

Encaminhar bem é parte do cuidado. Veja quando indicar outro profissional, o que escrever na carta de encaminhamento e um modelo pronto para adaptar.

30/07/2026 9 min

Uma carta de encaminhamento psicológico bem escrita faz diferença: comunica o essencial ao outro profissional, protege o sigilo do paciente e registra uma decisão clínica importante.

Psicólogos trabalham em rede — psiquiatras, médicos, escolas, nutricionistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e serviços de assistência social. Encaminhar bem fortalece o cuidado. Encaminhar sem critério, sem consentimento e sem registro cria riscos éticos.

Neste artigo, você vai ver quando encaminhar, o que escrever na carta e um modelo pronto para adaptar à sua prática.

Quando fazer um encaminhamento psicológico?

O encaminhamento deve ser feito quando o paciente apresenta uma demanda que exige avaliação ou intervenção fora do escopo da psicologia — ou que se beneficia de um cuidado complementar ao processo terapêutico.

Situações comuns:

  • necessidade de avaliação médica geral;
  • indicação de acompanhamento psiquiátrico;
  • demanda escolar ou de aprendizagem;
  • suspeita de risco que exige cuidado mais intensivo;
  • cuidado perinatal;
  • atendimento infantil ou de adolescentes que envolve outros serviços;
  • questões jurídicas;
  • suporte familiar ou social.

Encaminhar não encerra sua responsabilidade: amplia a rede em torno do paciente. Cada situação pede limite e autorização adequados.

O que a carta de encaminhamento deve conter?

A carta de encaminhamento deve conter a identificação do psicólogo, o motivo do encaminhamento em linguagem objetiva e apenas as informações necessárias para a continuidade do cuidado.

No Brasil, os documentos escritos produzidos por psicólogos seguem as regras da Resolução CFP nº 06/2019, que exige linguagem técnica, objetividade e respeito ao sigilo profissional. A carta de encaminhamento não aparece como modalidade própria na norma, mas segue os mesmos princípios.

Elementos essenciais:

  1. identificação do psicólogo: nome, CRP e contato profissional;
  2. identificação do paciente, limitada aos dados necessários;
  3. motivo do encaminhamento, descrito de forma objetiva;
  4. resumo do que é relevante para o outro profissional — e nada além disso;
  5. o que se espera: avaliação, acompanhamento, parecer;
  6. disponibilidade para contato e troca de informações;
  7. local, data e assinatura.

Evite diagnósticos fechados quando não houve avaliação formal. Descreva observações e hipóteses com a cautela que o caso pede.

Modelo de carta de encaminhamento psicológico

Use o modelo abaixo como ponto de partida e adapte os campos entre colchetes à sua realidade.

[Cidade], [data].

Ao(À) Dr(a). [nome do profissional] — [especialidade ou serviço]

Encaminho o(a) paciente [nome completo], [idade], em acompanhamento psicológico desde [mês/ano], para [avaliação psiquiátrica / avaliação médica / acompanhamento especializado].

O encaminhamento se deve a [motivo objetivo, por exemplo: relatos de alterações persistentes de sono e apetite que indicam a necessidade de avaliação médica].

As informações desta carta foram autorizadas pelo(a) paciente e limitam-se ao necessário para a continuidade do cuidado.

Permaneço à disposição para contato e troca de informações, mediante consentimento do(a) paciente.

Atenciosamente,

[Nome do(a) psicólogo(a)] — CRP [número]

[Telefone e e-mail profissional]

Ajuste o tom conforme o destinatário: uma carta para um psiquiatra pode ser mais técnica; uma comunicação para a escola pede linguagem acessível e ainda mais parcimônia nas informações.

É preciso consentimento do paciente para encaminhar?

Sim. Antes de contatar outro profissional ou enviar qualquer informação, o paciente precisa saber e autorizar o que será compartilhado.

Deixe claro para o paciente:

  1. quem será contatado;
  2. por qual motivo;
  3. quais informações serão compartilhadas;
  4. por qual canal;
  5. como o contato será registrado;
  6. que ele pode recusar.

Em situações específicas, como risco grave, podem existir deveres adicionais do profissional. Avalie o caso com cuidado e registre sua avaliação e a decisão tomada.

O que registrar no prontuário?

Registre a indicação do encaminhamento, o profissional ou serviço de destino, a data, o consentimento do paciente e os retornos recebidos.

No prontuário, inclua:

  • indicação e motivo do encaminhamento;
  • profissional ou serviço de destino;
  • data;
  • orientação dada ao paciente;
  • consentimento obtido;
  • cópia da carta enviada;
  • retorno recebido;
  • próximos combinados.

Sem registro, a rede vira memória informal — e memória informal se perde.

Como acompanhar o encaminhamento depois da carta?

Combine com o paciente e com o outro profissional como será o retorno: quem informa o quê, por qual canal e em que prazo.

Na comunicação, compartilhe apenas o necessário. Evite enviar o prontuário completo quando um resumo técnico basta — privacidade também é saber reduzir informação.

Um sistema de gestão com prontuário organizado ajuda a localizar cartas, contatos e decisões rapidamente, o que evita perda de informações e melhora a continuidade do cuidado.

Conclusão

Encaminhar é parte do cuidado, não um desvio dele. Uma carta objetiva, com consentimento do paciente e registro no prontuário, protege todos os envolvidos e fortalece a rede em torno de quem mais importa: o paciente.

Use o modelo deste artigo como ponto de partida e adapte a linguagem à sua prática. Com processo claro, o encaminhamento deixa de ser improviso e passa a ser rotina bem documentada.

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