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Financeiro

Barbearia pode cobrar a taxa da maquininha do cliente?

A lei autoriza preço diferente para dinheiro, Pix e cartão. O cuidado está em mostrar a diferença antes e calcular pela taxa real do seu contrato.

21/09/2026 9 min

Pode. A barbearia pode cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento, e com isso repassar a taxa da maquininha para quem paga no cartão, desde que a diferença esteja informada de forma visível ao cliente. A taxa da maquininha na barbearia deixa de ser um custo escondido no preço do corte e passa a aparecer na tabela.

A autorização vem da Lei 13.455/2017, publicada no Diário Oficial da União em 27 de junho de 2017, que converteu em lei a Medida Provisória 764/2016.

O que a lei não resolve é o cálculo. Cobrar um valor redondo "a mais no cartão", sem olhar o contrato com a credenciadora, costuma gerar desconfiança no balcão e diferença no caixa.

O que a Lei 13.455/2017 permite

Segundo o art. 1º da Lei 13.455/2017, fica autorizada a diferenciação de preços de bens e serviços oferecidos ao público em função do prazo ou do instrumento de pagamento utilizado. Na prática da barbearia, isso cobre três situações:

  • preço diferente para dinheiro, Pix, débito e crédito;
  • preço diferente para crédito à vista e crédito parcelado;
  • desconto para quem paga antes, como em pacote ou assinatura quitada no ato.

O parágrafo único do mesmo artigo declara nula a cláusula de contrato de arranjo de pagamento que proíba ou restrinja essa diferenciação. Ou seja, se o contrato da sua maquininha diz que você não pode cobrar diferente no cartão, essa cláusula não vale.

Como informar a diferença para o cliente?

A mesma lei acrescentou o art. 5º-A à Lei 10.962/2004. Ele obriga o fornecedor a informar, em local e formato visíveis ao consumidor, os descontos oferecidos em função do prazo ou do instrumento de pagamento. Quem descumpre fica sujeito às sanções do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990).

Repare que a lei fala em desconto. Por isso, a forma de apresentar mais alinhada ao texto da lei é partir do preço cheio e mostrar o desconto para dinheiro e Pix, e não o contrário. Na barbearia, isso significa:

  • a tabela da parede, do site e do perfil de agendamento mostra os dois valores lado a lado;
  • uma placa no balcão, legível de onde o cliente paga, repete a regra;
  • quem recebe pergunta a forma de pagamento antes de passar o cartão, e não depois.

O cliente que descobre a diferença só na hora da senha se sente pego de surpresa, mesmo com a placa lá.

Como calcular o repasse da taxa da maquininha na barbearia

O ponto de partida é o extrato, não a tabela promocional da credenciadora. Puxe as taxas efetivas do seu contrato para cada caso:

  • débito, por bandeira;
  • crédito à vista, por bandeira;
  • crédito parcelado, por número de parcelas;
  • antecipação de recebíveis, se você antecipa.

Com a taxa em mãos, a conta que mantém o seu líquido igual ao do Pix é dividir o preço à vista por (1 menos a taxa). Um exemplo com números hipotéticos: se o corte custa R$ 50 no Pix e a taxa do crédito à vista no seu contrato é 4%, o preço no crédito fica em R$ 50 dividido por 0,96, ou R$ 52,08. Cobrar R$ 52,10 mantém a conta honesta.

Somar a taxa em cima do preço (R$ 50 mais 4%, R$ 52,00) deixa você um pouco abaixo do líquido, porque a taxa incide sobre o valor cheio. A diferença é pequena por corte, mas aparece no fim do mês.

Até onde vale cobrar a mais no cartão?

A lei não fixa um limite, mas o cliente compara. Uma diferença muito maior que o custo real da maquininha vira sobrepreço, e o cliente fiel percebe na segunda visita. Algumas regras práticas:

  • repasse a taxa, não uma margem extra;
  • use um valor por faixa (débito, crédito à vista, parcelado), e não um por bandeira, para a tabela continuar legível;
  • se a barbearia parcela combo ou pacote, calcule cada número de parcelas separado, porque a taxa sobe a cada parcela;
  • revise os valores quando renegociar o contrato ou trocar de credenciadora.

Se você preferir não repassar, a alternativa é embutir a taxa média no preço cheio, como descrito no post sobre como calcular a tabela de preços, e dar desconto no Pix. O efeito para o caixa é parecido, e a comunicação fica mais simples.

Como registrar a forma de pagamento em cada atendimento

Ter dois preços só funciona se cada atendimento sair da cadeira com a forma de pagamento anotada. Sem isso, o caixa do dia não bate com o extrato da credenciadora e ninguém sabe se a diferença é taxa, erro de digitação ou desconto dado no balcão.

O registro mínimo por atendimento:

  • barbeiro, serviço e horário;
  • forma de pagamento e, no crédito, número de parcelas;
  • valor cobrado, já na faixa certa da tabela;
  • desconto manual, com o motivo.

Esse mesmo registro alimenta o fechamento da comissão. Se a base da comissão é o valor bruto ou o líquido depende da regra que você combinou com a equipe, e isso está detalhado no texto sobre a base de cálculo da comissão do barbeiro. O que importa aqui é que, com a forma de pagamento gravada, a conta sai igual para os dois lados.

Como organizar a cadeira, a fila e o caixa com dois preços

Com fila na porta no sábado, ninguém consulta planilha para saber quanto custa a barba no crédito parcelado. O valor precisa aparecer pronto ao fechar o atendimento.

Um sistema de gestão resolve isso guardando a tabela com o preço por forma de pagamento, lançando o atendimento no nome do barbeiro que ocupou a cadeira e somando o caixa por forma de pagamento no fim do dia. Fica simples conferir com o extrato e fechar a comissão sem refazer conta.

Conclusão

A Lei 13.455/2017 autoriza a barbearia a cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento, e a cláusula da maquininha que proíba isso é nula. A condição é informar a diferença de forma visível, de preferência como desconto sobre o preço cheio.

O resto é conta e registro: calcule pela taxa real do seu contrato, sem cobrar acima do custo, e anote a forma de pagamento de cada atendimento. Assim o caixa bate com o extrato e a comissão fecha sem discussão.

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