Produtividade
Ficha de anamnese para extensão de cílios e design com henna: modelo, campos e como guardar
A ficha de anamnese da lash e da designer não é a mesma da coloração. Veja os campos que importam para olhos e sobrancelhas, como registrar cada manutenção e onde guardar esses dados.
O que precisa ter numa ficha de anamnese de extensão de cílios? Perguntas sobre alergia, saúde dos olhos e procedimentos recentes, o registro do produto e do lote usados em cada aplicação, e a assinatura da cliente com data. O mesmo vale para o design com henna ou tintura de sobrancelha e cílios.
A ficha de cliente comum do salão foi pensada para cabelo e coloração. Na região dos olhos, o risco é outro, as perguntas são outras e o registro precisa acompanhar cada manutenção, não só o primeiro atendimento.
Por que a ficha de anamnese de extensão de cílios é diferente da ficha do salão?
Porque o procedimento acontece a milímetros do olho, com a cliente de olhos fechados por um bom tempo e com produtos que têm contato com pálpebra e mucosa. Uma conjuntivite mal curada ou uma alergia antiga ao adesivo muda a decisão de atender ou não.
E porque a extensão é um serviço recorrente. A cliente volta a cada poucas semanas para manutenção, troca de curvatura, de espessura, às vezes de adesivo. Se a reação aparece na terceira manutenção, você precisa saber o que foi usado naquela aplicação, e não só na primeira.
Quais campos colocar na ficha de anamnese?
Meia página resolve. Separe em blocos para a cliente preencher rápido e você conferir de relance.
Identificação
- Nome completo, telefone e data de nascimento.
- Data do primeiro atendimento e profissional responsável.
Alergias e sensibilidade
- Alergia conhecida a adesivo de cílios ou a cola instantânea, que também é à base de cianoacrilato.
- Reação anterior a unha em gel ou acrílica.
- Alergia a látex, esparadrapo ou fita adesiva usada para isolar os cílios inferiores.
- Reação anterior a henna, tintura de cabelo ou de sobrancelha.
- Reação anterior a tatuagem temporária de henna negra.
Saúde dos olhos
- Conjuntivite, blefarite, terçol ou irritação nas últimas semanas.
- Uso de lente de contato.
- Cirurgia ocular recente ou tratamento oftalmológico em andamento.
- Olho seco, lacrimejamento frequente ou uso de colírio contínuo.
Outras informações relevantes
- Gestação ou amamentação.
- Queda de cílios ou de sobrancelha sem causa conhecida.
- Procedimento estético recente no rosto.
Teste e consentimento
- Teste de toque feito antes da primeira aplicação: data, produto e resultado, ou recusa da cliente.
- Declaração de que as informações são verdadeiras e de que os cuidados pós-procedimento foram explicados.
- Data e assinatura, física ou eletrônica.
O que registrar em cada manutenção?
Aqui está o que quase toda ficha esquece. A anamnese é preenchida uma vez, mas cada aplicação precisa de uma linha própria:
- Data e profissional que atendeu.
- Técnica, curvatura, espessura e tamanho dos fios.
- Marca e lote do adesivo, da henna ou da tintura.
- Alguma mudança de saúde desde a última vez: perguntar "algo mudou?" leva dez segundos.
- Intercorrência na sessão, como ardência, lacrimejamento ou vermelhidão.
O lote é o campo que mais faz falta. Se três clientes reagem na mesma semana, ele mostra se o problema é o frasco novo ou a técnica.
O que a Anvisa diz sobre produto para cílios e sobrancelha?
O primeiro cuidado vem antes da ficha: o produto precisa estar regularizado. A consulta de produtos cosméticos no site da Anvisa permite conferir se o que você comprou está regularizado na agência.
Para tinturas de cílios, há um posicionamento específico. O Parecer nº 22/2024 da Anvisa sobre substâncias para ondular, colorir e descolorir os cílios conclui que esses produtos devem ter registro na agência e lista, para várias substâncias, a indicação de uso profissional e advertências de rotulagem.
Entre essas advertências, o parecer traz a orientação de não pintar os cílios de quem já teve reação depois de pintar o cabelo ou os cílios, ou reação a tatuagem temporária de henna negra. É exatamente por isso que essas perguntas estão na ficha: a advertência existe para esses casos, e a anamnese prova que você perguntou.
Por que os dados da ficha pedem cuidado pela LGPD?
Porque alergia, gestação e doença nos olhos são dados referentes à saúde, e a LGPD (Lei 13.709/2018) classifica dado de saúde como dado pessoal sensível no artigo 5º, inciso II.
O artigo 11 da mesma lei restringe as hipóteses de tratamento desse tipo de dado. A mais direta para a ficha é a do inciso I: consentimento do titular de forma específica e destacada, para finalidades específicas. Na prática:
- Escreva na ficha para que essas informações servem: avaliar a segurança do procedimento e acompanhar as manutenções.
- Peça a assinatura nesse trecho, separado do resto.
- Não use esses dados para outra coisa, como lista de divulgação.
- Restrinja quem acessa: a profissional que atende e quem administra o salão.
Ficha em papel solta na bancada dificilmente atende a isso. Foto da ficha no celular pessoal da profissional, menos ainda: quando ela sai do salão, os dados de saúde das clientes vão junto.
Onde a ficha vive na rotina do salão?
No mesmo lugar que a agenda e o histórico da cliente. A ficha de anamnese faz sentido quando abre junto do horário marcado, e não numa pasta à parte.
Num salão com várias profissionais, ou com lash e designer trabalhando como parceiras, isso evita dois problemas comuns: a cliente que preenche a ficha de novo a cada profissional e a manutenção que não tem registro porque a ficha ficou com quem atendeu da primeira vez.
Um sistema de gestão que guarda a ficha no cadastro da cliente, com acesso por usuário, permite:
- Enviar a anamnese para assinatura no celular antes do primeiro horário.
- Registrar produto, lote e técnica em cada atendimento, no mesmo histórico.
- Ver a ficha na tela antes de começar a manutenção, sem procurar papel.
- Agendar o retorno da manutenção já no fim da sessão, com a comissão de cada profissional calculada sobre o serviço feito.
Conclusão
A ficha de anamnese de extensão de cílios e de design com henna existe para decidir se é seguro atender e para provar que você perguntou. Os campos que importam são alergias, saúde dos olhos e reações anteriores, e o registro que mais falta é o produto e o lote de cada manutenção.
Confira na Anvisa se o produto está regularizado, trate as respostas como dado sensível, como manda a LGPD, e guarde tudo junto do histórico da cliente. Assim a ficha deixa de ser papel de gaveta e passa a acompanhar cada volta dela ao salão.