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Produtividade

Ficha de avaliação antropométrica: modelo completo com dobras, circunferências e evolução

O modelo de ficha antropométrica bloco a bloco: identificação, dobras com protocolo, circunferências padronizadas e a linha de evolução que faz a medida valer alguma coisa.

14/08/2026 7 min

Um bom modelo de ficha de avaliação antropométrica tem quatro blocos: identificação e dados básicos, dobras cutâneas com o protocolo anotado, circunferências com ponto anatômico padronizado e uma área de evolução que compara as medidas consulta a consulta. É esse quarto bloco que separa uma ficha útil de um papel que só acumula números.

Boa parte do que circula por aí é apostila escaneada ou arquivo .doc de década passada. Este guia entrega a estrutura completa, campo a campo, e mostra como fazer as medidas contarem uma história de progresso — que é o que o paciente quer ver.

O que uma ficha de avaliação antropométrica precisa ter?

Quatro blocos, nesta ordem: identificação, dobras cutâneas, circunferências e evolução. Peso, estatura e IMC entram na identificação de cada avaliação; o protocolo de dobras e o ponto de cada circunferência ficam registrados na própria ficha, porque comparação só vale quando o método se repete.

A regra de ouro: a ficha não é um documento avulso. Ela integra o prontuário do paciente e segue as mesmas exigências de registro — voltamos a isso adiante.

Modelo de ficha antropométrica bloco a bloco

Bloco 1 — Identificação e dados básicos

  • Nome do paciente e data de nascimento
  • Data da avaliação e profissional responsável
  • Peso (kg), estatura (cm) e IMC calculado
  • Objetivo do acompanhamento nesta fase

Bloco 2 — Dobras cutâneas

  • Tricipital, bicipital, subescapular e suprailíaca
  • Peitoral, axilar média e abdominal
  • Coxa e panturrilha média
  • Protocolo utilizado e equipamento (adipômetro)

Registre só as dobras que o protocolo escolhido usa: Jackson & Pollock de 3 ou 7 dobras, Durnin & Womersley de 4 dobras, ou os protocolos de Guedes e de Petroski, mais ajustados à população brasileira. O nome do protocolo escrito na ficha não é detalhe — trocar de protocolo no meio do acompanhamento invalida a comparação de percentual de gordura.

Bloco 3 — Circunferências

  • Pescoço, braço relaxado e braço contraído
  • Cintura, abdômen e quadril
  • Coxa e panturrilha
  • Relação cintura-quadril calculada

Anote o ponto anatômico de referência de cada medida (por exemplo, cintura no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca) e mantenha o mesmo ponto em todas as avaliações. Fita no lugar errado gera "evolução" que não existe.

Bloco 4 — Evolução consulta a consulta

  • Data de cada avaliação
  • Peso, IMC e percentual de gordura estimado
  • Soma de dobras (mm)
  • Cintura e quadril
  • Observações da avaliação

Uma linha por consulta. A soma de dobras merece destaque: ela é menos sensível a erro de equação do que o percentual de gordura e mostra tendência com clareza.

Como registrar a evolução sem perder a comparação?

Padronizando três coisas: mesmo protocolo, mesmo avaliador sempre que possível e condições parecidas de medida (horário, hidratação, mesmo lado do corpo). Variação de técnica entre avaliações é a maior fonte de ruído na antropometria de consultório.

E transforme número em gráfico. Uma curva de soma de dobras ou de circunferência de cintura caindo ao longo de quatro consultas comunica mais que qualquer tabela — para você e, principalmente, para o paciente que está pensando em desistir.

A ficha antropométrica precisa ir para o prontuário?

Sim. A Resolução CFN nº 594/2017 determina que as informações clínicas necessárias ao diagnóstico, à prescrição dietética e ao acompanhamento da evolução nutricional sejam registradas pelo nutricionista em prontuário, físico ou eletrônico — e as medidas antropométricas são exatamente esse tipo de informação.

A mesma resolução fixa guarda mínima de 20 anos a partir do último registro e, para o prontuário eletrônico, exige requisitos como integridade, autenticidade e confidencialidade dos dados. Ficha solta em papel avulso ou planilha desgarrada do prontuário é fragilidade documental, não organização.

Da medida ao gráfico: onde a organização decide

O fluxo comum é medir na consulta, anotar em papel, prometer digitar depois — e a planilha de evolução morre na terceira semana. O dado existe, mas não vira informação.

O fluxo que funciona registra a medida uma única vez, durante a consulta, no mesmo lugar onde vivem a anamnese, a agenda e as consultas anteriores. Com um sistema de gestão que guarda a evolução por consulta, a comparação e os gráficos de progresso saem prontos no retorno — sem digitação dupla e sem reconstruir histórico de memória.

Conclusão

Ficha de avaliação antropométrica boa é a que se repete igual: mesmos campos, mesmo protocolo, mesmo ponto de medida, uma linha de evolução por consulta. Os quatro blocos deste modelo cobrem isso — e a Resolução CFN nº 594/2017 lembra que tudo precisa morar no prontuário, com guarda de 20 anos.

Monte a sua a partir dos blocos acima, corte as medidas que seu protocolo não usa e padronize o resto. A medida é o começo; é a evolução visível, consulta a consulta, que sustenta o acompanhamento.

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