Financeiro
Quanto cobrar pela consulta de nutrição em 2026: tabela FNN e método de precificação
USN de R$ 107,14 e consulta de referência a R$ 214,28 na tabela FNN 2026 — mas o valor que sustenta o consultório sai do cálculo da sua hora clínica, não do PDF.
Em 2026, a referência nacional para quanto cobrar pela consulta nutricional é a tabela de honorários da FNN: consulta com valor mínimo de referência de R$ 214,28, USN fixada em R$ 107,14 e hora técnica de R$ 160,79. Mas tabela é ponto de partida, não resposta — o valor que sustenta o consultório sai de um método de precificação, não de um PDF.
Este guia traz os números atualizados e o caminho de cálculo para chegar ao seu valor de consulta, retorno e pacote de acompanhamento.
Quanto cobrar pela consulta nutricional em 2026?
Segundo a tabela de honorários 2026 da Federação Nacional dos Nutricionistas (FNN), a Unidade de Serviço em Nutrição (USN) vale R$ 107,14 — reajuste de 6% sobre os R$ 101,08 de 2025 — e a hora técnica, definida como 1,5 USN, fica em R$ 160,79. A consulta tem valor mínimo de referência de R$ 214,28, o equivalente a 2 USN.
Em São Paulo, a tabela do SindiNutri-SP trabalha com USN de R$ 125,00, acima da referência nacional — um lembrete de que o valor certo depende de onde e para quem você atende.
Além da região, pesam experiência, formação, nicho e estrutura de atendimento. Quem atende um público específico — gestantes, atletas, pacientes bariátricos — com método claro e acompanhamento estruturado sai da comparação direta de preço e passa a ser escolhido por outro critério.
A tabela FNN é piso obrigatório?
Não. Não existe piso legal federal para honorários de nutricionista em consultório particular: a tabela da FNN e as tabelas estaduais dos sindicatos são referências institucionais, não valores impostos por lei.
Isso corta para os dois lados: você não é obrigado a cobrar o mínimo da tabela, e ninguém garante que o mínimo da tabela paga as suas contas. Por isso o caminho é calcular — e a tabela vira o que ela deve ser: um teste de sanidade para o seu resultado.
Como calcular o custo da sua hora clínica?
Três passos:
- Some os custos mensais do consultório: sala, sistema, contador, anuidade do CRN, materiais, marketing e — o item mais esquecido — o pró-labore que você precisa retirar para viver.
- Estime as horas de atendimento reais do mês. Quem reserva 30 horas semanais de agenda raramente ocupa todas: entre faltas, buracos e tarefas administrativas, 60% a 70% de ocupação é um cenário comum.
- Divida o custo total pelas horas efetivamente atendidas e acrescente impostos e a margem que remunera o seu risco.
Um exemplo ilustrativo: R$ 4.500 de custos mais R$ 7.500 de pró-labore pedem R$ 12.000 por mês. Com 80 horas efetivamente atendidas, a hora clínica custa R$ 150 antes de impostos e margem — e a consulta de referência a R$ 214,28 começa a fazer sentido, ou não, para a sua realidade.
Refaça essa conta a cada semestre ou sempre que um custo relevante mudar: sala nova, sistema novo, mais horas de agenda ocupadas. Preço desatualizado é margem evaporando em silêncio, mês após mês.
Consulta, retorno e pacote: como precificar cada um?
- Consulta inicial: é o atendimento mais longo e denso — anamnese completa, avaliação, plano. Merece o maior valor unitário.
- Retorno: mais curto, mas não é cortesia infinita. Defina o que está incluído no valor da consulta (um retorno em até X dias, por exemplo) e o preço do retorno avulso fora dessa janela.
- Pacote de acompanhamento: consulta inicial mais retornos programados por 3 ou 6 meses, com valor fechado ou recorrência mensal. O desconto sobre o avulso compra previsibilidade de agenda e adesão — não pode corroer a margem.
Para definir o desconto do pacote, parta do valor avulso somado dos atendimentos e limite o corte a um percentual que você conheça — 10% a 15% costuma equilibrar atratividade e margem. E deixe o reajuste anual previsto desde o início, com mês certo para acontecer.
O pacote é o formato que mais combina com nutrição, porque o resultado do paciente mora no acompanhamento, não na consulta isolada. Mas só funciona com regra clara de validade, remarcação e falta — combinada antes, por escrito.
Onde a precificação encontra a rotina do consultório?
Precificar bem e cobrar mal dá no mesmo. O método acima depende de dados que só a rotina fornece: taxa real de ocupação da agenda, faltas por período, consultas de pacote já consumidas, inadimplência por paciente.
Quando agenda e financeiro vivem juntos, cada retorno agendado debita do pacote certo, a recorrência cobra sozinha todo mês e a nota fiscal sai junto do pagamento. Sem esse controle, o pacote — justamente o formato mais rentável — vira o mais difícil de administrar, e o reajuste anual é adiado por falta de números.
A nota, aliás, deixou de ser detalhe: com a NFS-e do padrão nacional se tornando o caminho obrigatório para quem está no Simples, amarrar a emissão ao pagamento evita o mutirão fiscal de fim de mês.
Conclusão
Quanto cobrar pela consulta em 2026? Acima do que a sua hora clínica custa, usando a tabela FNN — USN de R$ 107,14, consulta de referência a R$ 214,28 — como baliza institucional, e a tabela paulista como lembrete de que o mercado local importa.
Calcule a hora, desenhe consulta, retorno e pacote com regras claras e marque no calendário o reajuste anual. Tabela boa é a que você constrói — com as suas contas na frente.