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Setembro amarelo: como o psicólogo pode participar com ética e segurança
Todo psicólogo é cobrado a se posicionar em setembro — e tem medo de errar. Veja como participar do Setembro Amarelo seguindo as diretrizes de comunicação segura, as regras do CFP e um protocolo claro no consultório.
Setembro Amarelo: como o psicólogo pode participar sem errar em um tema tão sensível? A resposta direta: seguindo as diretrizes de comunicação segura sobre suicídio, respeitando as regras de publicidade do CFP e transformando a visibilidade do mês em ações concretas — conteúdo responsável, palestras, rede de encaminhamento e um protocolo de risco bem definido no consultório.
A campanha existe desde 2015, criada pelo CVV, pelo Conselho Federal de Medicina e pela Associação Brasileira de Psiquiatria, em torno do dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Todo ano, a pressão para "postar alguma coisa" cresce — e, com ela, o receio legítimo de comunicar mal um assunto em que erros têm consequências reais.
A boa notícia: existem diretrizes claras para isso. Este guia organiza o que fazer, o que evitar e como preparar seu consultório para a demanda que setembro costuma trazer.
Como o psicólogo pode participar do Setembro Amarelo?
Há cinco frentes possíveis, e você não precisa estar em todas:
- Publicar conteúdo de psicoeducação nas redes, dentro das diretrizes de comunicação segura
- Oferecer palestras e rodas de conversa em escolas, instituições e empresas
- Usar a atenção do mês para propor ações de saúde mental a empresas, na esteira da NR-1
- Fortalecer sua rede de encaminhamento e conhecer os serviços do seu território
- Revisar o protocolo de avaliação de risco do próprio consultório
Escolha as frentes compatíveis com sua rotina. Uma palestra bem preparada ou uma rede de encaminhamento atualizada vale mais do que dez posts genéricos.
O que dizem as diretrizes de comunicação segura sobre suicídio?
A OMS publica recomendações para comunicação sobre suicídio, e a ABP e o CFM mantêm materiais nacionais — como a cartilha "Suicídio: informando para prevenir", voltada a profissionais de saúde, e o manual "Comportamento suicida: conhecer para prevenir", dirigido à imprensa. Os princípios convergem:
- Não descrever método, local ou detalhes de casos
- Não tratar o suicídio como algo inexplicável, romântico ou como "solução" para o sofrimento
- Evitar títulos e imagens sensacionalistas
- Não reproduzir cartas de despedida nem estatísticas fora de contexto
- Falar de sinais de alerta, fatores de proteção e caminhos de ajuda
- Sempre indicar onde buscar apoio: CVV 188 (gratuito, 24 horas), CAPS e serviços de emergência
Na prática, o teste é simples: seu conteúdo aumenta a sensação de que existe saída e ajuda disponível — ou apenas choca e amplifica o tema? Prevenção comunica esperança com responsabilidade, não estatísticas alarmantes.
O que postar — e o que evitar — segundo as regras do CFP
Além das diretrizes de comunicação, vale o marco ético da profissão. O Código de Ética e a Nota Técnica CFP nº 01/2022, sobre uso profissional das redes sociais, orientam que a divulgação inclua nome completo, título de psicóloga ou psicólogo e número de inscrição no CRP — e vedam sensacionalismo, promessa de resultado e autopromoção em detrimento de colegas. O Código de Ética também veda usar o preço do serviço como propaganda.
Traduzindo para o Setembro Amarelo:
- Pode: psicoeducação sobre sinais de alerta, mitos e fatos, como acolher alguém em sofrimento, onde buscar ajuda
- Pode: divulgar palestras, grupos e horários de atendimento, com identificação profissional completa
- Evite: relatos de casos clínicos, mesmo "disfarçados"
- Evite: promessas do tipo "a terapia previne o suicídio" aplicadas a resultados individuais
- Evite: usar a campanha como gatilho comercial — desconto de setembro, sorteio de sessão, urgência artificial
O tom que sustenta sua credibilidade é o de utilidade pública, não o de oportunidade de marketing.
Palestras em empresas: a ponte com a NR-1
Setembro é a porta de entrada natural para conversar com empresas. Desde a atualização da NR-1, fatores de risco psicossociais devem ser incluídos no gerenciamento de riscos ocupacionais, e a fiscalização com possibilidade de multa começou em maio de 2026. Ou seja: gestores estão procurando exatamente o que você sabe fazer.
Uma palestra de Setembro Amarelo pode abrir contratos maiores — rodas de conversa recorrentes, treinamento de lideranças para acolher e encaminhar, apoio à avaliação de riscos psicossociais. Prepare uma apresentação alinhada às diretrizes de comunicação segura e leve uma proposta de continuidade: o mês passa, a obrigação legal da empresa fica.
Posvenção e rede de encaminhamento
Participar da prevenção também é cuidar de quem ficou. A posvenção — o apoio a enlutados por suicídio — é uma frente pouco lembrada e muito necessária: pessoas enlutadas por suicídio compõem um grupo que merece atenção especial e acolhimento qualificado.
Antes de setembro, atualize sua rede de referência: psiquiatras que respondem rápido, CAPS da sua região, serviços de emergência, grupos de apoio a enlutados. Quem palestra e posta sobre o tema recebe pedidos de ajuda — e precisa saber para onde encaminhar em cada nível de risco. Se quiser aprofundar a conduta clínica, veja nosso guia sobre o que o psicólogo deve fazer diante de risco de suicídio.
Prepare o consultório para a demanda que setembro traz
A campanha aumenta a procura por terapia e, dentro das sessões, facilita revelações de ideação suicida. Seu consultório precisa estar pronto antes:
- Triagem de risco incorporada à anamnese e revisitada quando houver sinais
- Registro da avaliação de risco e das condutas no prontuário, protegendo paciente e profissional
- Contatos de emergência do paciente atualizados e de fácil acesso
- Rede de referência e materiais de psicoeducação organizados em um lugar só
Uma plataforma de gestão para consultório ajuda a sustentar esse protocolo: modelos padronizados de anamnese e evolução garantem que a triagem de risco não dependa da memória, o prontuário eletrônico mantém registros e contatos seguros e acessíveis, e a agenda com lembretes automáticos reduz faltas justamente nos casos em que a continuidade do acompanhamento importa mais.
Conclusão
Participar do Setembro Amarelo não exige virar influenciador nem dominar todas as frentes. Exige comunicar com as diretrizes de segurança, respeitar as regras do CFP, indicar sempre os canais de ajuda — como o CVV 188 — e ter consultório e rede preparados para a demanda que o mês gera.
Feito assim, seu posicionamento em setembro deixa de ser risco e vira o que deveria ser: contribuição qualificada de quem trabalha com saúde mental o ano inteiro.
Este blog é do Singular Psi, o sistema para psicólogos com prontuário, agenda e financeiro em um só lugar.