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Legal e Conformidade

Férias coletivas na barbearia: como dar o recesso de janeiro sem erro

Fechar a primeira semana de janeiro depois do pico de dezembro é comum. Veja como fazer isso dentro da CLT para quem é registrado e dentro do contrato para quem é parceiro.

09/10/2026 • 8 min

Para dar férias coletivas na barbearia em janeiro, você precisa seguir a CLT com quem é registrado: período de pelo menos 10 dias corridos, aviso com 15 dias de antecedência ao sindicato e no local de trabalho (e ao Ministério do Trabalho, se a barbearia não for ME ou EPP) e pagamento adiantado. Com o barbeiro parceiro, a regra é outra: ele não tira férias, e o recesso segue o que o contrato de parceria prevê.

Muita barbearia fecha na primeira semana de janeiro depois do pico de dezembro. O erro comum é tratar esse fechamento como folga informal, sem separar empregado de parceiro.

O recesso bem feito começa em novembro, não no dia 2 de janeiro. É nesse mês que você define a data, faz os avisos e começa a puxar os cortes da base para o fim de dezembro.

O que a CLT exige nas férias coletivas na barbearia?

O art. 139 da CLT permite conceder férias coletivas a todos os empregados de uma empresa ou de determinados estabelecimentos ou setores. Dá para fechar só uma unidade, se você tiver mais de uma.

As regras principais do mesmo artigo:

  • Até dois períodos no ano. Pelo § 1º, as férias coletivas podem ser gozadas em dois períodos anuais, desde que nenhum seja inferior a 10 dias corridos.
  • Mínimo de 10 dias corridos. Uma semana de recesso, sozinha, não cumpre a regra para ser férias coletivas. Se a barbearia quer fechar só de 1 a 7 de janeiro, a conta não fecha; ou o período cresce, ou o arranjo precisa ser outro, combinado com orientação do seu contador.
  • Aviso com 15 dias de antecedência. O § 2º manda comunicar o órgão local do Ministério do Trabalho as datas de início e fim, indicando os estabelecimentos ou setores abrangidos. O § 3º manda enviar, no mesmo prazo, cópia aos sindicatos da categoria e afixar aviso nos locais de trabalho.

Para fechar no começo de janeiro, o aviso sai em meados de dezembro, no auge do movimento.

ME e EPP precisam avisar o Ministério do Trabalho?

Não. A Lei Complementar 123/2006, no art. 51, inciso V, dispensa microempresas e empresas de pequeno porte de comunicar ao Ministério do Trabalho e Emprego a concessão de férias coletivas.

A dispensa é só dessa comunicação. O art. 51 não fala do sindicato nem do aviso no mural, então as duas obrigações do § 3º do art. 139 da CLT continuam valendo para a barbearia pequena:

  • Cópia do comunicado ao sindicato da categoria, com as datas de início e fim.
  • Aviso afixado na barbearia, em lugar visível para a equipe.

Guarde o comprovante de envio ao sindicato e uma foto datada do aviso.

E o barbeiro contratado há menos de um ano?

A CLT trata do caso no art. 140: o empregado contratado há menos de 12 meses goza, na oportunidade, férias proporcionais, e começa então um novo período aquisitivo.

Isso interessa a quem contratou reforço no segundo semestre. O barbeiro registrado em agosto entra no recesso com férias proporcionais, e a contagem do próximo período dele recomeça. Se o recesso for maior do que os dias proporcionais a que ele tem direito, converse com o contador sobre como tratar a diferença antes de comunicar a data.

Quando pagar as férias coletivas?

O art. 145 da CLT determina que a remuneração das férias, e o abono, quando houver, sejam pagos até dois dias antes do início do período. Fechando no começo de janeiro, o pagamento cai no fim de dezembro, junto com o fechamento do mês mais movimentado do ano.

Sobre o abono: o art. 143 permite ao empregado converter um terço das férias em dinheiro. Nas férias coletivas, o § 2º do mesmo artigo exige que essa conversão seja objeto de acordo coletivo com o sindicato da categoria. Separe esse valor do caixa de dezembro assim que a data for definida.

O barbeiro parceiro tira férias coletivas?

Não. A Lei 13.352/2016, que incluiu o art. 1º-A na Lei 12.592/2012, prevê o contrato de parceria entre o salão e o barbeiro, e diz que o profissional-parceiro não tem relação de emprego com o salão-parceiro enquanto durar a parceria. Férias coletivas são instituto da CLT e valem para empregados.

Então o recesso do parceiro segue o contrato. Entre as cláusulas obrigatórias listadas pela lei estão as condições e a periodicidade do pagamento e os direitos do profissional-parceiro quanto ao uso dos bens e ao acesso às dependências do estabelecimento. Se a barbearia vai ficar fechada, o parceiro precisa saber com antecedência, porque é a renda dele que para.

Dois cuidados:

  • Não trate o parceiro como empregado no recesso. Dar "férias" a ele, com escala imposta, reforça sinais de subordinação.
  • Confira se o contrato prevê o fechamento. Se não prevê, combine por escrito. A mesma lei aponta como hipótese de vínculo a falta de contrato formalizado nos termos dela.

Como organizar a cadeira e a fila para o recesso?

O fechamento só não pesa no caixa se os cortes de janeiro forem antecipados, não perdidos. A rotina que funciona:

  • Bloqueie a agenda do recesso agora, para ninguém marcar horário numa data em que a barbearia estará fechada.
  • Avise a base em novembro que a barbearia fecha na primeira semana de janeiro, e convide quem corta todo mês a marcar o último corte do ano no fim de dezembro.
  • Abra horários extras nos últimos dias de dezembro para absorver essa fila antecipada, com a escala de cada barbeiro definida.
  • Registre as datas do recesso de cada profissional, empregado ou parceiro, para fechar comissão, repasse e férias sem reconstruir o mês.

Um sistema de gestão com bloqueio de agenda por profissional e lembrete automático para a base faz esses avisos sem que você precise mandar mensagem por mensagem.

Conclusão

Férias coletivas na barbearia têm regras claras na CLT: até dois períodos no ano, nenhum com menos de 10 dias corridos, aviso ao sindicato e na barbearia com 15 dias de antecedência e pagamento até dois dias antes. A ME e a EPP ficam dispensadas só de avisar o Ministério do Trabalho. O barbeiro parceiro fica fora disso, e o recesso dele depende do contrato.

Defina a data em novembro, avise a equipe e a base e prepare o caixa para pagar em dezembro. Este texto é orientação geral; confirme os detalhes com o seu contador antes de comunicar o recesso.

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