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Gestão

Nutrição corporativa: como vender palestra e programa para empresas (e quanto cobrar)

Palestra avulsa, programa trimestral ou dia de consultas in company: como transformar a nutrição corporativa em contrato mensal, com preço por hora técnica e por colaborador e sigilo dos dados de saúde.

29/10/2026 • 9 min

Para vender nutrição corporativa, você precisa oferecer à empresa um pacote fechado (palestra, programa ou dia de consultas), cobrar pela hora técnica de todo o trabalho e não só pelo tempo no palco, e deixar no contrato que os dados de saúde de cada colaborador ficam com você, e não com o RH. Com essas três peças, a empresa vira um cliente de faturamento previsível.

O momento ajuda. No fim do ano muitas empresas fecham o orçamento de saúde e qualidade de vida do ano seguinte, e é aí que entram as SIPATs, as campanhas temáticas e os programas de bem-estar. Ter a proposta pronta antes de o orçamento fechar aumenta a chance de entrar no planejamento do ano.

O que a Lei 8.234/1991 permite oferecer a uma empresa?

A Lei nº 8.234/1991, que regulamenta a profissão, lista no art. 3º, inciso VII, como atividade privativa do nutricionista a assistência e a educação nutricional a coletividades ou indivíduos, sadios ou enfermos, em instituições públicas e privadas. Uma empresa e o seu quadro de colaboradores se encaixam nessa descrição.

O art. 4º da mesma lei atribui também ao nutricionista a assistência e o treinamento especializado em alimentação e nutrição. Na prática, isso cobre os três formatos que mais vendem:

  • Palestra avulsa: um tema, uma data, um público. Boa porta de entrada e boa para SIPAT.
  • Programa trimestral: palestra de abertura, triagem dos interessados, atendimentos individuais e encontro de fechamento.
  • Dia de consultas in company: agenda cheia de atendimentos individuais dentro da empresa, com sala reservada.

A palestra abre a conversa; o programa é o que gera contrato recorrente.

Como montar a proposta de nutrição corporativa?

Quem compra é o RH ou a área de saúde e segurança, e essa pessoa precisa defender o seu orçamento internamente. A proposta tem de facilitar esse trabalho.

Uma proposta enxuta tem:

  • Objetivo em uma frase, no vocabulário da empresa: adesão a hábitos saudáveis, apoio a uma campanha, ação da SIPAT.
  • Escopo detalhado: número de palestras, duração, quantos atendimentos individuais, quem pode participar.
  • Entregáveis: material de apoio, relatório final agregado, lista de presença.
  • Logística: local, equipamento, horário, modalidade presencial ou online.
  • Preço, condição de pagamento e validade da proposta.

Ofereça duas ou três opções de escopo. O comprador corporativo gosta de escolher entre pacotes, e a opção do meio costuma ser a que fecha.

Quanto cobrar por palestra e por programa em empresa?

Não há tabela única que sirva para todo o país, então o preço sai da sua conta, não de um número de referência.

Para a palestra, cobre pela hora técnica do trabalho inteiro:

  • Preparo do conteúdo e do material.
  • Deslocamento e tempo de espera.
  • A palestra em si e a rodada de perguntas.
  • Ajustes pedidos pela empresa depois da apresentação.

Uma palestra de uma hora raramente consome só uma hora. Some tudo, multiplique pelo seu valor-hora com margem e acrescente custos diretos.

Para o programa, combine hora técnica com preço por colaborador:

  • Parte fixa: palestras, preparo, relatório agregado e reuniões com o RH.
  • Parte variável: valor por colaborador atendido individualmente, calculado a partir do seu preço de consulta.
  • Faixa mínima: número de atendimentos que a empresa paga mesmo se a adesão for baixa.

A faixa mínima protege você do programa contratado para cem pessoas em que só quinze aparecem.

O que colocar no contrato com a empresa?

O contrato é de prestação de serviço entre você (ou a sua pessoa jurídica) e a empresa. Os pontos que mais evitam conflito:

  • Escopo e quantidades, iguais aos da proposta aprovada.
  • Preço, forma de faturamento e prazo de pagamento, inclusive se o valor é mensal ao longo do programa.
  • Regra de cancelamento e de remarcação de palestras e dias de atendimento.
  • Cláusula de sigilo e de proteção de dados, dizendo o que a empresa recebe e o que não recebe.
  • Uso de imagem: foto do evento só com autorização dos participantes.

Para contratos maiores, vale a revisão de um advogado. O custo é pequeno perto de um programa anual.

Quem fica com os dados de saúde do colaborador?

O colaborador atendido é seu paciente, e os dados dele não pertencem a quem paga a conta. O art. 20 do Código de Ética e de Conduta do Nutricionista (Resolução CFN nº 599/2018) estabelece o dever de manter o sigilo e a confidencialidade das informações no exercício da profissão, salvo exigência legal.

Além disso, a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018, art. 5º, II) classifica o dado referente à saúde como dado pessoal sensível. Na nutrição corporativa, isso se traduz em regras simples:

  • A empresa recebe apenas relatório agregado e sem identificação: adesão, número de atendimentos, temas mais procurados.
  • Peso, exames, diagnósticos e plano alimentar ficam no prontuário de cada paciente, como trata a Resolução CFN nº 594/2017.
  • A triagem é preenchida pelo colaborador diretamente com você, não por formulário do RH.

Na divulgação, lembre que o art. 57 do mesmo Código de Ética veda usar o valor dos honorários, promoções e sorteios como publicidade. Mostre o formato do programa; o preço vai na proposta.

Como encaixar a empresa na rotina do consultório?

Para o seu consultório, a empresa é um cliente; cada colaborador atendido é um paciente. Separar essas duas camadas é o que mantém a operação de pé:

  • Cadastro do colaborador como paciente, com consentimento e prontuário próprio desde a triagem.
  • Agenda dos dias in company e dos retornos no consultório no mesmo calendário.
  • Faturamento mensal para a empresa, separado das consultas particulares que o colaborador decidir pagar depois do programa.
  • Relatório agregado gerado a partir dos atendimentos, sem expor nenhum dado individual.

Montar isso em planilha funciona com uma empresa. Com duas ou três ao mesmo tempo, os registros se misturam. Um sistema de gestão que junta agenda, prontuário e cobrança recorrente deixa cada paciente com histórico completo e cada contrato com o seu faturamento em dia.

Conclusão

A nutrição corporativa é uma forma de levar o seu trabalho de consultório para um cliente que paga todo mês. Proposta com opções de escopo, preço calculado pela hora técnica e por colaborador e contrato claro sobre sigilo resolvem a maior parte do caminho.

O que não se negocia é a privacidade: quem paga é a empresa, mas quem é atendido é o paciente. Use o fim do ano para mandar as propostas e comece o primeiro programa com uma empresa só.

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