Financeiro
Ponto de equilíbrio da clínica de fisioterapia: quantas sessões por mês pagam as contas
Custo fixo, custo por sessão e margem viram um número só: quantas sessões a clínica precisa fazer no mês para empatar. Veja a conta para consultório e para clínica com equipe.
O ponto de equilíbrio da clínica de fisioterapia é o número de sessões por mês em que a receita cobre exatamente todos os custos: abaixo dele a clínica perde dinheiro, acima dele começa o lucro. Para chegar nele, você divide o custo fixo mensal pela margem que cada sessão deixa depois de pagar comissão, taxa de cartão, imposto e material.
A conta é simples, mas responde a uma pergunta que o faturamento sozinho não responde: se o mês não fechou, o problema foi preço, agenda vazia ou custo alto demais?
E o momento é bom para fazer. No fim do ano, quando você monta o orçamento de 2027, esse número vira a meta mínima de atendimentos de cada mês.
Quais custos entram no ponto de equilíbrio?
Separe os gastos em dois grupos. Misturar os dois é o erro mais comum.
Custos fixos são os que existem com a agenda cheia ou vazia:
- aluguel, condomínio, energia e internet;
- salário da recepção e encargos;
- seu pró-labore, que é custo e não sobra;
- contador, sistema, anuidade do conselho e manutenção de equipamentos, rateados por mês.
Custos variáveis são os que nascem a cada sessão realizada:
- comissão ou repasse do fisioterapeuta;
- taxa da maquininha ou do link de pagamento;
- imposto sobre a receita, na alíquota que seu contador calcula para o regime da clínica;
- material de consumo, como eletrodos, gel, bandagens e lençol descartável.
Some os fixos de um mês típico. Para os variáveis, calcule quanto cada um representa por sessão, em reais ou em porcentagem do preço.
O que é margem de contribuição por sessão?
Margem de contribuição é o que sobra de cada sessão depois de pagar os custos variáveis dela. É esse valor que vai pagando, sessão a sessão, o aluguel e os salários.
A fórmula:
- margem de contribuição = preço médio da sessão − custo variável por sessão;
- ponto de equilíbrio = custo fixo mensal ÷ margem de contribuição.
Use o preço médio real, não o da tabela. Se parte da agenda é de pacote com desconto ou de convênio, o preço médio é a receita realizada do mês dividida pelo número de sessões atendidas.
Como calcular o ponto de equilíbrio da clínica de fisioterapia na prática?
Os dois exemplos abaixo usam números hipotéticos. Troque pelos seus.
Consultório individual. Você atende sozinho, sem comissão a pagar:
- custo fixo mensal, com pró-labore: R$ 6.000;
- preço médio da sessão: R$ 150;
- taxa de cartão, imposto e material somam, no exemplo, 15% do preço: R$ 22,50;
- margem de contribuição: R$ 127,50.
Ponto de equilíbrio: 6.000 ÷ 127,50 ≈ 47, então 48 sessões no mês. Em um mês de cerca de 20 dias úteis, são menos de três atendimentos por dia só para empatar.
Clínica com quatro fisioterapeutas. A comissão muda tudo:
- custo fixo mensal: R$ 28.000;
- preço médio: R$ 140;
- comissão de 40% (R$ 56) mais 15% de cartão, imposto e material (R$ 21): R$ 77 por sessão;
- margem de contribuição: R$ 63.
Ponto de equilíbrio: 28.000 ÷ 63 ≈ 445 sessões no mês, cerca de 111 por fisioterapeuta.
O resultado mostra se o problema é preço, agenda ou custo?
Mostra, quando você compara o ponto de equilíbrio com a capacidade da agenda.
Na clínica do exemplo, se cada fisioterapeuta tem seis horários por dia em 20 dias úteis, a capacidade é de 480 sessões. Empatar exige ocupar cerca de 93% da agenda, e qualquer semana de faltas ou feriado joga o mês no prejuízo. Daí saem três diagnósticos:
- Problema de preço: a margem por sessão é pequena demais. Reajustar R$ 10 no preço médio, no exemplo, sobe a margem para R$ 67,50, já descontada a comissão maior, e derruba o ponto de equilíbrio para cerca de 415 sessões.
- Problema de ocupação: o ponto de equilíbrio é razoável, mas a agenda não chega nele. Aí o foco é falta, remarcação e lista de espera, não preço.
- Problema de custo: o custo fixo cresceu antes da demanda, como uma sala nova ou mais um contratado. Ou ele se paga com mais sessões, ou volta a ser revisto.
Faça também o teste ao contrário: quanto o ponto de equilíbrio sobe se a comissão aumentar ou se mais pacientes pagarem parcelado no cartão. Simular antes evita descobrir no fechamento.
Como usar o número no orçamento de 2027?
Monte o orçamento a partir do ponto de equilíbrio, e não do faturamento desejado:
- liste os custos fixos previstos para 2027, já com reajuste de aluguel e salários;
- recalcule a margem por sessão com o preço que você pretende praticar;
- encontre o ponto de equilíbrio de cada mês, lembrando que janeiro e dezembro têm menos dias de atendimento;
- some a meta de lucro: lucro desejado ÷ margem por sessão dá quantas sessões extras você precisa.
O resultado é uma meta mensal de atendimentos que a equipe entende, e não um número de faturamento abstrato.
Como acompanhar o ponto de equilíbrio na rotina do consultório?
O número só ajuda se for acompanhado durante o mês, não depois que ele acabou. Divida a meta por semana e confira toda segunda-feira:
- sessões realizadas na semana anterior contra a meta semanal;
- preço médio realizado, para ver se descontos e pacotes não estão comendo a margem;
- faltas e horários vagos das próximas duas semanas.
Isso exige que agenda e financeiro conversem. Quando a presença é confirmada na agenda, a sessão precisa aparecer como receita realizada, com a comissão e a taxa já calculadas, no mesmo registro em que você anota a evolução no prontuário. Em um sistema de gestão que reúne agenda e financeiro, o relatório de sessões e margem do mês sai pronto, sem planilha paralela para alimentar.
Conclusão
O ponto de equilíbrio da clínica de fisioterapia transforma custo fixo, comissão, taxa de cartão e imposto em uma meta concreta de sessões por mês. Comparado com a capacidade da agenda, ele diz se o ajuste necessário é no preço, na ocupação ou nos custos.
Calcule agora com os números do seu ano, use o resultado como base do orçamento de 2027 e acompanhe semana a semana. Assim você sabe se o mês vai fechar enquanto ainda dá tempo de agir.