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Legal e Conformidade

Nova carteira profissional do fisioterapeuta: o que mudou depois da revogação e o que fazer agora

Não existe janela de troca gratuita correndo: a norma que criava o novo modelo foi revogada seis dias antes de entrar em vigor. O que sobrou de prático para quem atende.

10/09/2026 9 min

Não existe, hoje, prazo de troca gratuita correndo para a nova carteira profissional do fisioterapeuta: a resolução que criava o novo modelo foi revogada antes mesmo de entrar em vigor. Se você viu um aviso dizendo que a janela fecha em outubro, o texto está desatualizado.

O que aconteceu, em uma linha: a Resolução COFFITO nº 658, de 24 de junho de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 25 de junho de 2026, revogou por inteiro a Resolução COFFITO nº 647/2026 — justamente a norma que instituía a Carteira de Identidade Profissional em formato novo, com cartão físico em PVC e versão virtual. A 658 é uma resolução curta: dois artigos, nenhum modelo substituto no lugar, vigência na data da publicação.

Na prática, o que vale é o que já valia antes de fevereiro de 2026 — a sua carteira atual e a carteira digital emitida pelo sistema do próprio COFFITO. Abaixo, o que é ruído, o que é norma e o que dá para resolver esta semana sem sair da clínica.

Afinal, o que aconteceu com a nova carteira profissional do fisioterapeuta?

A Resolução COFFITO nº 647/2026, publicada no DOU de 6 de fevereiro de 2026, alterava a Resolução COFFITO nº 8/1978 na parte que trata dos documentos de identidade profissional. Ela desenhava dois documentos com o mesmo valor jurídico — o Cartão de Identidade Profissional Físico e o Cartão de Identidade Profissional Virtual —, ambos com fé pública e validade em todo o território nacional. O físico seria em PVC, no formato 90mm x 60mm; o virtual seria gratuito para todos os profissionais.

Só que ela nunca chegou a valer. A Resolução COFFITO nº 650/2026, de 24 de março de 2026, adiou a entrada em vigor da 647 para 1º de julho de 2026 e passou a contar os 180 dias de troca gratuita a partir dessa data. Em 25 de junho de 2026 — seis dias antes de a norma começar a produzir efeitos — a Resolução COFFITO nº 658/2026 revogou a 647 inteira, sem colocar outro modelo no lugar.

Ou seja: o novo modelo nunca entrou em vigor e a janela de troca gratuita nunca chegou a abrir.

O que isso significa para você:

  • Não conte com prazo de troca gratuita — o prazo estava na norma revogada.
  • Não descarte a carteira que você já tem em mãos.
  • Antes de reservar uma manhã para ir ao regional só por causa de documento, ligue e pergunte se o seu CREFITO está emitindo algo novo.

Por que os sites dos CREFITOs ainda falam em prazo e em 180 dias?

Porque as notícias regionais foram publicadas quando a 647 ainda estava de pé, e nem todas saíram do ar. O CREFITO-14 publicou em 5 de março de 2026 que a troca gratuita iria de 6/4/2026 a 6/10/2026. O CREFITO-15 publicou em 15 de abril de 2026 que o modelo antigo seguiria válido por até dois anos.

O CREFITO-15 descreve o que a 647 de fato dizia sobre o modelo antigo. Já as datas do CREFITO-14 saíram antes da Resolução COFFITO nº 650/2026: com o adiamento da vigência para 1º de julho, aquele calendário de 6/4 a 6/10 já estava vencido desde março. E, em 25 de junho de 2026, a 647 inteira deixou de existir.

Guarde a regra prática, porque ela serve para qualquer prazo de conselho: notícia de regional é aviso, resolução publicada no Diário Oficial é norma. Quando as duas divergem, vale a resolução.

Para que a carteira serve no dia a dia de quem atende?

Vale lembrar por que o documento importa antes de tratá-lo como burocracia de gaveta:

  • Fiscalização na clínica, que chega sem hora marcada e confere se quem está atendendo tem inscrição ativa no regional.
  • Credenciamento e recredenciamento em convênio, em que a operadora pede comprovação de habilitação junto ao processo.
  • Cadastro em hospital, home care, cooperativa ou clínica que você atende como parceiro.
  • Atendimento domiciliar, quando você chega na casa de um paciente novo e precisa se identificar como fisioterapeuta, não só como visita.

E não é documento apenas de classe: a Lei nº 6.206/1975 estabelece que a carteira expedida por órgão fiscalizador do exercício profissional criado por lei federal vale como prova de identidade em todo o território nacional, para qualquer efeito.

Como emitir a carteira digital hoje

A versão digital não dependia da 647 — ela já era emitida antes dela. O CREFITO-1 divulgou o serviço em junho de 2024 e o CREFITO-7 publicou o passo a passo em setembro de 2024. O caminho continua o mesmo:

  • Acesse o SICOFITO, em coffito.gov.br/sicofito.
  • Faça o recadastramento com seus dados atualizados.
  • Clique em "Emitir carteirinha".
  • Aguarde a análise. O CREFITO-7 informa que a emissão pode levar até 7 dias úteis.
  • Aprovado o pedido, você recebe um e-mail com o acesso ao aplicativo ProID, onde a carteira fica disponível no celular.

Segundo as orientações do CREFITO-7 e do CREFITO-15, foto e assinatura são a maior causa de recusa. Foto no padrão de documento: fundo branco, rosto centralizado, sem óculos escuros nem acessórios. Assinatura igual à do seu documento de identidade, feita com caneta azul ou preta em papel branco sem pauta e digitalizada em boa resolução.

E se a anuidade estiver em aberto?

Resolva isso primeiro. O CREFITO-1, por exemplo, condiciona o pedido da carteira digital a estar em dia com as obrigações financeiras junto ao regional. Cada CREFITO define as próprias condições e os próprios encargos de atraso, então confirme no seu antes de abrir o pedido e levar recusa.

Duas atitudes que evitam a repetição do problema: negocie o parcelamento direto com o regional em vez de deixar o débito envelhecer, e trate a anuidade como custo fixo do ano, provisionado mês a mês, e não como susto de janeiro.

Onde isso encosta na rotina do consultório

Carteira em dia é uma evidência entre várias que alguém pode pedir sem avisar. A mesma visita que confere a sua inscrição costuma pedir prontuário de evolução legível, com data, conduta e assinatura, além do registro de quem atendeu cada sessão.

Se os prontuários de evolução estão em papel dentro de um armário e a agenda vive num caderno, montar essa prova vira meia manhã perdida — e, pior, você descobre as lacunas na hora errada. Com um sistema de gestão em que o prontuário de evolução nasce junto do atendimento e a agenda registra quem foi atendido por quem, essa conferência é uma tela aberta no celular, na frente de quem perguntou.

Conclusão

O resumo honesto de 2026 é este: houve uma tentativa de reformar o modelo da carteira, ela foi publicada em fevereiro e revogada em junho, e o que ficou de utilidade prática é a carteira digital pelo SICOFITO, com acesso pelo ProID — que já existia e continua disponível.

Se você ainda não tem a versão digital, emita: é o documento que fica no bolso quando o fiscal, a operadora ou o hospital pedem comprovação. E, antes de agir por causa de qualquer prazo que circular no grupo de WhatsApp da categoria, confirme o número da resolução e a data no site do COFFITO. Neste tema, a fonte secundária envelheceu em quatro meses.

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